Vigiai e Orai

Não deram por nada…

 Esta palavra ataca aquele meu tempo, tão preenchido, compacto, que teme a profecia. Vir ou não vir Deus… pode nem me importar. Tenho opiniões que me são servidas, já prontas. Tenho sondagens e previsões que se antecipam às esperas e devoram as expectativas. As agendas controlam-me o percurso e limitam as surpresas. E para o tempo que sobra… invento hobbies. Como poderei dar conta da presença de Deus no mutismo deste mundo que parece alterar-se apenas ao ritmo de maldades e catástrofes? Os olhos viciados colhem de cada paisagem apenas um mais do mesmo... É tão difícil libertar-me da ditadura do urgente e propor-me a esquadrinhar o banal à procura do milagre! Não, não darei conta da presença de Deus, se não espero Deus. E se não vigio Deus é porque não O amo… e corro o risco de enterrar os meus olhos no túmulo do egoísmo.

 Não sabeis o dia…

 No meio das minhas concretas circunstâncias Deus anuncia-se e inquieta-me. Posso escutar esta palavra de Jesus como uma ameaça apocalíptica, posso continuar a fingir venera-l’O com a motivação do medo... Mas o convite do Evangelho desperta-me!!! O sempre novo horizonte do seu amor está a passar por mim e eu não o quero desperdiçar! Será o amor a desenterrar-me os olhos, será o amor a alagar as “estacas da minha tenda” para O receber. Preciso do seu dilúvio e do seu assalto que renovam a vida. Amo este Deus da surpresa que não fixa em datas o seu assalto, nem encerra em prazos o seu dilúvio de amor. Quero entregar-me a Deus que me estende um tempo inteiro para a conversão, e prolonga generosamente o hoje para que possa encontra-l’O. Desejo o encontro, vou vigiar o único Deus que me pode revelar quem sou e me potencia o que posso ser.

 
Virá o Filho do Homem…

 Intitula-se “Filho do Homem” como se beijasse a minha humanidade; como a dizer-me que não lhe é indigno descer até ela, para a acarinhar e divinizar. Ele é o Deus que, por amor, vigia a minha felicidade! Posso perceber no ambiente tantas efervescências da sua doçura e solicitude; Ele distribui a chuva e encoraja a germinação… Ele me sorri no sol e me afaga na noite; Ele escuta a minha respiração e conta um simples cabelo que me cai. Cada dia Ele me surpreende na rebentação dos seus sinais sobre a monotonia das minhas praias. Quero um coração aceso pela vigilância do amor a única que dá cor à minha vida. A cor do Evangelho!

 (Ir. Maria José, Ir. Conceição Borges e Pe. Caldas)

Também nós

 

A imagem do monte continua a guria os primeiros passos do Advento. Desta vez, porém, Isaías não o indica como lugar de encontro pacífico entre todos os povos, mas como o teatro de maravilhoso banquete no qual serão preparados as coisas melhores, aquelas que saciam e deixam no coração profundas consolações.

Será sobretudo a fome da alma - a solidão profunda que neste mundo nos acompanha e nos admoesta - a receber o presente mais desejado, porque o monte de Deus será o tempo e o espaço em que será plenamente visível a todos o rosto do Pai. Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. [...] Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces (Is 25,6.8) O Senhor Jesus parece ser movido pelos mesmos sentimentos e pelos mesmíssimos projectos de que fala o profeta, quando sentado sobre um monte deixa a humanidade enferma se recolhe à volta dele na expectativa de receber graça e misericordia. E com amor a acolhe e a cura. Foi Jesus para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte, sentou-Se.

Veio ter com Ele uma grande multidão, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os. (Mt 15,29-30) Tudo isso seria já suficiente para acender uma luz na nossa jornada, quase sempre preenchida por minúsculas boas notícias, capazes de oferecer-nos alegrias temporâneas, sorrisos precários. O Evangelho, porém nos leva mais além, envolvendo-nos. sentindo compaixão pela multidão, o Mestre parece reconhecer ou pôr-se um limite na sua prodigiosa actividade em favor dos pobres. Desejaria dar-lhes de comer, mas para o fazer decide de envolver no seu coração os discípulos, libertando as suas perguntas mais autênticas.

Disseram-Lhe os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-Lhe: «Sete, e alguns peixes pequenos». (15,33-34) O fim desta passagem a conhecemos de cor, o seu significado, porém, o esquecemos sempre. Os milagres feito por Deus não são certamente um problema - que mais poderia fazer um deus senão milagres?! - mas uma ocasião para dizer-nos que, dentro das curvas da história, sobretudo nas situações mais obscuras e ameaçadas, o verdadeiros milagre somos também nós, cada vez que deixamos de nos ver com olhos de comiseração. E iniciamos a crer seriamente que o nosso pouco mas mãos do Senhor é chamado a tornar-se vida em abundância, para nós e para todos. Assim é o Advento. Assim é que o Senhor vem.

Conversão - II Domingo do Advento (8)

Caríssimos amigos e amigas, paz e bem! sejam bem-vindos! Espero que tenham tido uma boa semana. 
Eis que, neste segundo domingo do Advento entra em cena uma das suas figuras centrais: O percursor, João Baptista. A sua entrada em cena é marcada pelo tom ameaçador que lhe é característico: O juízo está eminente! Na sua pregação o cumprimento é descrito recorrendo à ameaça. De facto, as palavras que articulam a sua mensagem parecem, à primeira vista, muito semelhantes àquelas de Jesus no Evangelho: convertei-vos porque o reino dos céus está próximo! 
Todavia a interpretação da mensagem privilegia o juízo eminente que tal proximidade comporta; ela impõe com urgência uma conversão.
 
Nas palavras do profeta Isaias o Messias prometido é descrito, contrariamente á descrição de João Baptista, como portador de uma paz inimaginável, absoluta e consolante. O rebento de Jesse reacende a esperança para a casa de David. 
Ora caros amigos e amigas, a diferença de tom entre a pregação severa de João Baptista e o anúncio alegre Jesus é evidente. De facto Jesus, com os seus gestos milagrosos e acolhedores confirma a imagem messiânica de Isaias. Ele põe fim efectivo ao tempo da miséria, da ânsia e do medo e revela a paciência, a misericordia e o perdão de Deus. Ora, esta diferença evidente deve ser compreendida e não certamente cancelada. 
João Baptista prepara a vinda do Salvador. Uma preparação é necessária e indispensável! A vinda do Senhor não poderá nunca ser acolhida como dia de festa senão a condição que seja preparada por uma espera trepidante. Através do ministério de João Baptista todos devem encontrar este sentimento de espera. Este sentimento deve ser re-descoberto. Nós muitas vezes, esquecemos que a nossa condição presente é de miséria, de indigência, de necessidade. A miséria do nosso presente tem sobretudo uma face: a face do defeito da justiça e da necessidade do perdão. Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, dirá Jesus. A fome e a sede de que fala Jesus, caríssimos, diz respeito à justiça que falta a cada um de nós, que falta ao mundo, que falta na sociedade, que falta nos outros. Não vim para os justos mas para os pecadores, dirá ainda Jesus numa outra passagem. Bem aventurados, portanto, são os pecadores, isto é aqueles que reconhecem e confessam o próprio pecado, para eles de facto, e talvez só para eles a vinda do Senhor será uma festa. Neste sentido, caros amigos e amigas, João veio para pregar um Baptismo de penitência. 
Relativamente á culpa e à inocência, caríssimos, é muito fácil o engano.  De facto os juízos, nesta matéria, baseiam-se muito no ouvir dizer. Eis, então que a espera do Messias é a espera daquele que não julgará segundo as aparências e não decidirá por ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiças e com equidade os oprimidos. Para que se possa esperar com confiança e desejo um juiz assim, é indispensável participar à desilusão e à dor provocados pelos juízos de ouvir dizer. Ocorre renunciar aos preconceitos, aos juízos expressos antes do tempo, juízos precipitados e motivados pela sede de vingança. Esses juízos não se identificam com os juízos do messias. 
O engano, caríssimos, risca de se perpetuar quando ganha força a separação entre o momento religiosa da vida e o seu momento público e social. Aliás, é sob esta luz que devemos entender a reprovação que João Baptista dirige aos fariseus e saduceus. Eles também responderam ao convite de João Baptista. Acorriam a ele de Jerusalém, de toda a Judeia e da zona do Jordão. 

 

Esta confissão dos pecados, de que fala o trecho evangélico, seguramente não era analítica e pessoal. Era, talvez, uma confissão à pressa muito semelhante á nossa confissão que fazemos no início das nossas Missas. Uma confissão à pressa, que não toca a consciência, que não ajuda a celebrar nem melhor nem pior. João, caros amigos e amigas, não julga por ouvir dizer mas nem mesmo pelo que vê exteriormente, por aquilo que parece. Ele reconhece as diferentes atitudes daqueles que acorrem ao Jordão. Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir à ira de Deus que se aproxima? Quem vos ensinou esta possibilidade ilusória de subtrair-vos à ira de Deus através da prática de um baptismo apenas exterior, ao qual não corresponde nenhum propósito de mudar de vida?    

fr. Mauro Jöhri foi eleito vice-presidente da USG. (6)

Entre os dias 27 – 29 de novembro aconteceu na sede da Cúria geral dos Salesianos em Roma a 82ª Assembleia da União dos Superiores Gerais. O site oficial da USG - vd.pcn.net) informou amplamente sobre este evento, reportando também grande parte dos discursos e das intervenções dos participantes. A novidade desta assembleia semestral foi o encontro com Papa Francisco. O Santo Padre dedicou aos superiores gerais toda amanhã de sexta-feira 29 de novembro, sublinhando assim a importância que ele dá à vida consagrada. A comunicação sobre o que ocorreu neste encontro será em breve relatada por Pe. Antônio Spadaro, SJ no site “vidimusdominum”.

Durante a Assembleia, fr. Mauro Jöhri foi eleito vice-presidente da USG. Foram ainda eleitos três delegados da USG ao Sínodo extraordinário: Pe. Adolfo Nicolàs, Propósito geral dos Jesuítas e presidente da USG, fr. Mauro Jöhri, Ministro geral dos Capuchinhos e Pe. Mario Aldegani, Superior geral dos Josefinos de Murialdo.

Jornal Terra Nova

Santo do dia