O Capuchinho

Três Séculos haviam passado. São Francisco morreu no dia 3 de outubro de 1226, era o século XIII. Neste primeiro século, os discípulos contemporâneos de São Francisco marcavam o mundo e a Igreja com sua vida austera e tão parecida com a vida de Francisco. Deste século são grandes santos franciscanos: Santo Antônio, Santa Clara. Santa Isabel da Hungria, Beato Egídio de Assis, São Boaventura. Depois o segundo século, era já o século XIV. Começa a decair o fervor inicial. Contendas e divisões. Neste século foi escrito um dos livros mais famosos sobre São Francisco: A conformidade da vida de São Francisco com a do Senhor Jesus nosso Redentor.

Já no terceiro século, que é o XV, voltamos a encontrar grandes franciscanos santos, como: São Bernardino de Sena, São João de Capistrano, Santa Catarina de Bolonha (Clarissa), São Tiago das Marcas, que muito se empenharam para a união da Ordem, mas ainda assim houve divisões.

Inicia-se o século XVI. 1526. Um grupo de frades quer viver o espírito de São Francisco na sua genuinidade. É uma reforma, sem fundador, sem identidade diversa. Nome: FRANCISCANO, sobrenome; CAPUCHINHO. Fundamenta-se no Testamento do nosso Pai São Francisco, mais que nas Regras.

Vivem fora das cidades, mas não longe, em pequenas casas a que dão o nome de eremitérios. São famosos os de Renacavata (Camerino) e de Albacina. Foram perseguidos e se refugiaram entre os monges Camaldulenses, dos quais herdaram a barba e a denominação inicial de congregação de vida eremítica.

Depois destes problemas, passam a viver, por determinação do papa Clemente VII, observando a Regra de São Francisco, pregando ao povo, recebendo noviços, tanto leigos como sacerdotes. Desde então o número foi crescendo. Logo forma um santo, São Félix de Cantalice, nasceu em 1515 e em 1543 se torna capuchinho. Analfabeto, mas de grande sabedoria espiritual. Recolhia esmola pelas ruas de Roma. Morre a 18 de maio de 1587. Foi canonizado pelo papa Clemente XI.

Quais foram as marcas dos capuchinhos? Resgate da dimensão contemplativa do carisma franciscano; resgate da pobreza-minoridade (ser irmão menor). Sem a minoridade, a pobreza não tem sentido e se torna orgulho; como sem a pobreza, a minoridade é falsa. Outras marcas: popularidade, trabalho manual e pregação.

Os capuchinhos, vivendo na periferia, foram morar no meio dos pobres, como pobres, mantendo-se, sobretudo, do trabalho manual e de esmolas. Por isso, os pobres, que eram a grande maioria da população, os acolheram com vibração, deram-lhes o nome capuchinhos. Devido ao pequeno capuz do hábito, e deram-lhes muitas vocações.

Não há história da Ordem, há histórias dos frades da Ordem, pessoas humanas. A ordem não forma grandes homens, o grande homem se faz na Ordem.

Qual é a espiritualidade da Ordem dos Capuchinhos? É a espiritualidade dos leigos, de todo o povo, especialmente os pobres: a Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo. Daí os frades irmãos e os pregadores, sempre junto do povo. Entram em todas as casas, de ricos e pobres. Os ricos beijam a mão dos frades; os pobres brincam com os frades, com seu cordão, com seu capuz.

Os frades capuchinhos constituem um exemplar de recuperação da autêntica figura do testemunho do Evangelho, um chamado à forma de vida dos apóstolos e um retorno ao ideal de São Francisco e de seus primeiros companheiros. Cuidavam das pessoas que tinham peste, que eram muitas no seu tempo e não poucos deram a vida neste ministério. Eram vistos junto dos presos nas cadeias e dos doentes nos hospitais.

Conta-se a história de um grande capuchinho e professor da Universidade, na Bélgica, Frei Francisco Tittelmans que encantava seus discípulos com seus ensinamentos. Estes, curiosos, queriam saber que mais fazia o frade e grande professor e o descobriram num hospital de pobres, dando-lhes banho, cortando seus cabelos e as unhas. Aproximando-se do mestre, ele lhes foi dizendo, apontando os enfermos: estes são os meus Santo Agostinho, São Boaventura, Santo Tomás de Aquino, de quem tanto falo nas aulas para vocês.

O saudoso papa Paulo VI dizia: “Não perguntem o que faz o capuchinho, perguntem antes quem é o capuchinho”.

A reforma capuchinha não tem nada de novo. É apenas o resgate do carisma de São Francisco. No entanto, nisto exatamente consiste a identidade capuchinha: ser fiel à reforma ou se perderá seu significado. Ou serão homens de Deus, pobres e menores, com os pobres, a favor dos pobres e a seu serviço ou não serão capuchinhos.É assim que vêm se santificando tantos frades, como os últimos capuchinhos que foram canonizados: São Pio de Pietrelcina, São Félix de Nicósia e beatificado como o capuchinho libanês, Bem-aventurado Tiago de Ghazir. É isto que você espera encontrar entre os capuchinhos?

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Jornal Terra Nova

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