Santa Clara de Assis

 

A vocação é a resposta de Deus a uma comunidade que reza, pedindo que envie operários para a sua messe. Isto está escrito num documento da Igreja da América Latina. A vocação é um chamado de Deus, sim; mas exige uma resposta sua e só você pode dar esta resposta. Portanto, existe o chamado, mas existe a opção e esta é sua totalmente, inclusive você pode responder: não. E Deus continuará amando você infinitamente, porque Ele nos criou livres e respeita nossa liberdade.

No mês de agosto, a Igreja nos lembra a vocação sacerdotal, a vocação de ser pai-mãe,  a vocação de ser consagrado-consagrada e a vocação de ser agente de pastoral, sobretudo, a mais importante delas, a catequese.

Será que se tem a consciência séria destas vocações? Ouviu-se o chamado e houve uma resposta convicta para ela? Quem sabe haja quem case por casar, sem se perguntar por esta vocação, o matrimônio?

 

E quando a vocação é para se consagrar a Deus totalmente: “Eu serei todo vosso, sem reservas, para seguir Jesus mais de perto”, em resposta a um chamado, com uma opção livre, sincera, responsável e feliz?

Houve uma jovem, nobre, bela, prendada e feliz que ouviu um chamado assim de Deus. Só não sabia como seria o modo de seguir Jesus. Foi aí que ela teve notícia de um jovem de sua cidade, chamado Francisco e que estava seguindo Jesus como os pobres e vivendo com os pobres.

Clara de Assis o encontrou e descobriu que o que queria era justamente o que Francisco estava vivendo. As poucas vezes que puderam falar, entenderam-se. Ela começou a distribuir para os pobres o que tinha. Os parentes não podiam saber que estava vendendo tudo o que tinha e passando aos pobres. Assim, pobre ela também, sem dotes para oferecer ao mosteiro, deveria ser uma serviçal, ocupando-se dos trabalhos mais humildes das monjas.

De acordo com o bispo de Assis, ela e Francisco combinaram que ela sairia de casa, fugindo, de noite, com uma companheira. Ela aprendeu com os magos do Oriente que, não é porque viram uma estrela que eles se puseram a caminho, mas, como se puseram a caminho, viram a estrela que os conduziu a Jesus. Assim fez Clara, pôs-se a caminho...

Tão logo a recebeu na igrejinha de Santa Maria dos Anjos e celebrou a sua consagração total a Deus, cortando-lhe os lindos cabelos e cobrindo sua cabeça com um véu, Francisco levou-a para um mosteiro de beneditinas, onde viveria como serva das monjas.

Pouco tempo depois, ela foi para a outra igrejinha que Francisco restaurara, a de São Damião e aí Clara viveu toda a grande parte de sua vida.

Vocação responsável para ter a ousadia de viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e ser toda dele. Esta é a máxima mensagem de Santa Clara para todo vocacionado. Ser corajoso de deixar pai, mãe, irmãos e amigos, casa, trabalho, bens, propriedades. Aprendemos com ela que, como Jesus ensinou, quem não deixar, não pode ser discípulo dele. Pergunte-se a si mesmo: estou deixando quem, o que?

No seu convento, Santa Clara soube viver e ensinar uma espiritualidade forte e adequada. Como mulher, sabe-se que elas gostam de um espelho e, em nossos dias, passam horas, num “salão de beleza”, diante de espelhos, na frente, nas costas e nos lados. Também homens hoje estão fazendo a mesma coisa.

Veja que encanto de santidade em Santa Clara, aquilo que podia ser um meio de vaidade e perda de tempo, ela transforma em ponto de meditação e santificação: “Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos foi posto num presépio (Lc 2, 12)... No meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta, as penas que suportou para a redenção do gênero humano. E no fim do espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa”. É um trecho de uma carta que ela escreveu para outra santa, Santa Inês de Praga. O espelho para ela era Jesus.

Uma vocação assim tão bela é um estímulo para todas as vocações. Exemplo para quem quer entregar-se totalmente àquele para quem se sente chamado. Fazer do dia a dia, mesmo nas coisas mais simples, como um espelho, um encontro com Jesus, uma busca de Jesus.

Pense, por um momento, no que disse o papa João Paulo II, na Basílica de Santa Clara, em Assis: “É difícil separar os nomes de Francisco e Clara, estes dois fenômenos, estas duas legendas, legendas de santidade. É algo muito profundo, que não pode ser compreendido com critérios humanos. O binômio, Francisco e Clara, é uma realidade que só se compreende através das categorias cristãs, espirituais, do céu, mas é também uma realidade desta terra, desta cidade, desta Igreja. Tudo tomou corpo aqui. Não se trata de espírito puro, não são e não eram espíritos puros: eram corpos, eram pessoas, eram espírito”.

No dia 11 de agosto celebramos Santa Clara, quando, em 1253, partiu para o encontro sem fim com o Pai, com Jesus, com São Francisco.

    - A vocação de Santa Clara dá um estímulo para você?

    - Sendo ela uma mulher, pode servir de exemplo para Você?

 

Jornal Terra Nova

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